
Ao longo das próximas semanas, pretendo compartilhar algumas das histórias que chegam diariamente ao meu gabinete. Histórias de luta, perseverança, dificuldades, conquistas e esperança. São relatos de pessoas que procuram meu gabinete em busca de orientação, apoio ou simplesmente de alguém disposto a ouvir.
Antes de contar essas histórias, gostaria de explicar por que a escuta sempre ocupou um lugar tão importante em minha vida e na forma como procuro exercer meu mandato e transmitir aos meus assessores a importância de ouvir a todos.
Sou o oitavo de onze filhos. Cresci em uma família que me ensinou, desde cedo, valores como solidariedade, fraternidade e respeito ao próximo. Meus pais costumavam dizer que esses valores não deveriam ficar restritos aos muros da nossa casa. Eles precisavam estar presentes na forma como nos relacionávamos com o mundo.
Meu pai foi uma grande referência nesse sentido. Durante muitos anos, dedicou-se ao trabalho social, presidindo a Fundação Casa do Pequeno Trabalhador, apoiando iniciativas voltadas à população mais vulnerável e participando de campanhas em favor da justiça social. Eu o observava receber pessoas que chegavam à nossa casa em busca de ajuda. Eram trabalhadores, famílias em dificuldade e pessoas enfrentando os mais diversos desafios.
Lembro-me de uma lição que ele repetia com frequência e que nunca esqueci. Quando alguém chegava pedindo auxílio, ele dizia: “Filho, muitas vezes, mais importante do que oferecer ajuda material é ouvir a história da pessoa.”
Essa frase me acompanhou por toda a vida.
Ouvir é reconhecer a humanidade do outro. É compreender que cada pessoa carrega uma trajetória, desafios, sonhos, angústias e esperanças que merecem ser acolhidos com respeito. Nem sempre é possível resolver imediatamente todos os problemas apresentados, mas sempre é possível oferecer atenção, consideração e escuta verdadeira.
Esse ensinamento orienta a forma como procuro exercer meu mandato. Todos os dias, minha equipe realiza atendimentos presenciais, por telefone e por e-mail. Recebemos pessoas em situação de rua, trabalhadores em busca de emprego, famílias que enfrentam dificuldades para acessar serviços públicos, cidadãos que necessitam de atendimento na área da saúde, pessoas em busca de seus direitos e também empresários, pesquisadores, lideranças comunitárias e cidadãos que desejam apresentar sugestões para melhorar nossa cidade e nosso estado.
Por isso, sempre procurei manter um gabinete de portas abertas. Acredito que o mandato parlamentar deve estar acessível a todos, independentemente de sua condição econômica, profissão, escolaridade ou posição social. A democracia se fortalece quando todos têm espaço para serem ouvidos.
Tenho profundo orgulho da dedicação da equipe que trabalha comigo. Procuro transmitir a eles o mesmo ensinamento que recebi de meu pai, que é atender cada pessoa com respeito, atenção e dignidade. Afinal, cada cidadão merece ser acolhido como alguém cuja história importa.
A boa política começa pela escuta. Antes de propor soluções, é preciso compreender os problemas. Antes de formular políticas públicas, é necessário conhecer as experiências concretas das pessoas.
É justamente por isso que, semanalmente, compartilharei neste espaço algumas das histórias que chegam ao gabinete. Histórias que revelam desafios individuais, mas que muitas vezes refletem questões coletivas que afetam milhares de pessoas. Histórias que mostram a importância de um serviço público mais humano, mais próximo e mais atento às necessidades da população.
Ao ouvir cada uma dessas pessoas, continuo aprendendo uma lição que meu pai me ensinou há muitos anos, que toda pessoa tem uma história que merece ser ouvida.
E é a partir dessa escuta que nasce a possibilidade de transformação.
Revisão: Ana Rafaella Flores