Biografia

Eduardo Matarazzo Suplicy é o oitavo filho de Paulo Cochrane Suplicy e Filomena
Matarazzo Suplicy, que tiveram onze filhos, seis homens e cinco mulheres. Seu pai,
Paulo, era filho de Luiz Suplicy e Besita Cochrane Suplicy. Sua mãe, Filomena, era filha
do Andrea Matarazzo, o segundo dos 13 filhos de Francesco Matarazzo, e de Amália
Cintra Ferreira Matarazzo. Eduardo nasceu em 21 de junho de 1941, na residência de
seus pais, na Alameda Casa Branca nº 105, esquina com a Alameda Santos, em São
Paulo, um lar muito aprazível defronte ao Parque Siqueira Campos ou Trianon

Seus pais eram muito católicos e lhe transmitiram
valores, ensinamentos e exemplos sempre muito cristãos de como deveriam os filhos ser
sempre muito solidários, fraternos e unidos, e também que esses valores deveriam valer
para além dos muros de sua casa.

Seu pai, Paulo, corretor bem-sucedido que fundou o
Escritório Suplicy em São Paulo, em 1937, também dedicava parte de sua vida a
atividades assistenciais – por 30 anos foi Presidente da Fundação Casa do Pequeno
Trabalhador, hoje Fundação do Jovem Aprendiz, a qual provia rapazes de famílias
carentes com a oportunidade de realizar uma jornada de estudo e outra de trabalho,
como o de guarda de automóveis, engraxate, dentre outros; também participou do
Movimento de Desfavelização de São Paulo e da Organização do Auxílio Fraterno. Aos
16 anos, jogou como amador no primeiro time do Santos Futebol Clube, portanto foico-
fundador. Como seu pai gostava de leva-lo para assistir os jogos dos Santo, como
menino, ele passou a ser torcedor do Santos, o que também aconteceu com seus três
filhos, e quatro netos homens. Já suas duas netas, mais independentes, optaram pelo
Palmeiras e a outra é uma observadora atenta.

Ao acompanhar seu pai nas ocasiões em que
pessoas vinham lhe pedir auxílio, Eduardo ouvia: “Meu filho, mais importante do que
qualquer auxilio que você possa dar é você poder ouvir a história e o problema que essa
pessoa lhe traz”, recomendação que procura seguir até hoje bem como recomenda a
todos que com ele trabalham.

Eduardo Suplicy fez o Jardim de Infância e o
primário na Escola Nossa Senhora das Graças, na Rua Maranhão. Cursou admissão,
ginásio e científico no Colégio São Luiz, na Avenida Paulista. Ingressou na Escola de
Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, de 1960 a 1964,
onde se formou bacharel. Menino e adolescente, Eduardo Suplicy desenvolveu uma
preocupação sobre como, em seu meio, havia condições e oportunidades tão boas, mas
em sua cidade e pelo Brasil eram muitas as pessoas em grande necessidade.

Aos 14 anos, ao ler as histórias de Galileo Galilei e
Nicolau Copérnico, entusiasmou-se por quão importante era sempre se “buscar a
verdade, uma coisa humana”, conforme aqueles cientistas fizeram. Passou a levar os
seus estudos muito mais a sério. Ao ingressar na FGV, logo se tornou Diretor Cultural e,
de 1963 a 1964, foi Presidente do Centro Acadêmico de Administração de Empresas,

desenvolvendo uma série de atividades que contribuíram para abrir os horizontes dos
estudantes.

Enquanto estudante atuou como pesquisador no
Centro de Pesquisas e Publicações da Escola de Administração de Empresas de São
Paulo (EAESP-FGV), e como estagiário da Companhia Brasileira de Peças Industriais e
da Companhia Siderúrgica Paulista.

Quando completou o segundo ano na EAESP-FGV,
interrompeu os estudos por um semestre para visitar os países da Europa Oriental e
Ocidental na busca por conhecer o que era o Capitalismo, o Socialismo, o Mercado
Comum Europeu, o Marxismo. Diante do Muro de Berlim, e por tudo que observou, voltou
ao Brasil com a convicção de seria possível se construir uma nação mais justa, sempre
por meio da democracia e com liberdade.

Ao completar seu bacharelado, casou-se com Marta
Teresa Smith de Vasconcellos, em dezembro de 1964, com quem teve os filhos Eduardo
(Supla), André e João, além de quatro netos e duas netas:Teodoro, Bernardo, de André e
Fernanda Alves Pallerosi, e Rafael, de André e Juliana Duarte, Laura, de João e Patrícia
Scotolo, Maria Luiza e Felipe, de João e Maria Paula Fidalgo. Após sua formatura
Eduardo foi trabalhar no Escritório Suplicy, onde procurou desenvolver um setor de
exportação de produtos manufaturados.

Em fevereiro de 1966 prestou concurso para
professor de Economia na EAESP-FGV, pois queria muito conhecer os instrumentos de
política econômica que poderiam ser utilizados para tornar o Brasil mais justo. Tendo sido
bem-sucedido, de agosto de 1966 a junho de 1968 completou o Master’s Degree in
Economics e avançou em direção ao PhD na Michigan State University. Voltou ao Brasil,
onde lecionou como professor por tempo integral de julho de 1968 a julho de 1970.
Em agosto de 1970 retornou aos EUA para
completar o seu Philosophy Doctor in Economics, na MSU.. Nesse período recebeu um
fellowship para estudar na Universidade de Stanford, de setembro de 1971 a setembro
de 1972. Foi então convidado para dar um curso sobre Economia Brasileira, de setembro
a dezembro de 1972, no Food Research Institute da Stanford University.

No primeiro semestre de 1973 completou sua tese
de PhD na Michigan State University sobre “Os Efeitos das Minidesvalorizações da Taxa
de Câmbio na Economia Brasileira”, a qual foi publicada como livro pela FGV, em 1976.
Do segundo semestre de 1973 em diante voltou a
lecionar Economia em tempo integral na EAESP-FGV, assumindo também alguns
cargos, como o de Chefe do Departamento de Planejamento e Análise Econômica e de
Redator Chefe da Revista de Administração de Empresas.

Ministrou cursos de Macroeconomia,
Microeconomia, Desenvolvimento Econômico, Economia Internacional e seminários

sobre “Os Instrumentos de Política Econômica para a Construção de uma Sociedade
Justa e Civilizada”.

Durante os anos que exerceu mandatos
parlamentares continuou a lecionar, apenas um curso por semestre, em geral às sextas-
feiras na parte da tarde, de forma a não conflitar com suas funções legislativas.
Em 1974, combinando com seu trabalho de
professor, foi convidado a escrever artigos de economia no jornal Última Hora. Em 1975,
tornou-se editor de Economia da revista Visão. A partir de 1976 até 1980, continuando a
trabalhar como professor tornou-se redator de artigos de política econômica no jornal
Folha de S. Paulo.

Em outubro de 1976, quando ajudou
voluntariamente a campanha do então vereador eleito Flávio Flores da Cunha
Bierrenbach, alguns amigos lhe disseram: ‘Estamos pensando em quem deve ser
candidato a deputado nas próximas eleições. Como seus artigos na Folha estão sendo
muito lidos, avaliamos que você deve se apresentar.’ Foi então visitar pessoas como
Ulisses Guimarães, André Franco Montoro, Chopin Tavares de Lima, Plínio de Arruda
Sampaio, para saber o que era ser um representante do povo.

Havia então apenas dois partidos, MDB e Arena.
Ficou interessado, inscreveu-se no MDB e, em 1978, fez uma campanha modesta, com
atuante grupo de estudantes voluntários.

Em 27 de setembro de 1978, no calçadão da Rua
Barão de Itapetininga, em diálogo com Luiz Inácio Lula da Silva e Afonso de Souza,
respectivamente Presidente do Sindicatos dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema,
e Secretário do Sindicato dos Padeiros de São Paulo, e com o povo, Eduardo Suplicy
lançou o seu livro “Compromisso”, uma compilação de seus artigos publicados na Folha
de S. Paulo, pela Editora Brasiliense.

Foi eleito deputado estadual em São Paulo, com 78
mil votos, o segundo mais votado. Tinha como lema ser um candidato necessário, que
iria lutar pela democratização do país, por eleições diretas para prefeito, governador e
presidente, por respeito aos direitos humanos e por procedimentos éticos na vida política.
No segundo semestre de 1979, extintos Arena e
MDB pelo Presidente Ernesto Geisel, em razão da afinidade de ideais, os líderes
sindicais e intelectuais que estavam organizando o PT convidaram Eduardo Suplicy e
mais cinco deputados estaduais para serem cofundadores do partido.

Examinando os seus objetivos de lutar, por meios
democráticos, para construir um Brasil mais justo, na busca de dar voz e vez, com
igualdade de direitos para todos, Eduardo Suplicy resolveu ser cofundador do PT na
reunião havida no Colégio Sion, em 10 de fevereiro de 1980.

Em 1982, elegeu-se deputado federal com 83 mil
votos, o segundo mais votado pelo PT. Como deputado federal, de 1983 a 87,
empenhou-se sobremodo na luta pelas Diretas-Já e para que houvesse transparência e
correção no trato da coisa pública.

Durante o ano de 1984, dedicou-se a desvendar o
Caso Coroa-Brastel, o qual estudou em profundidade e sobre o qual arguiu os então
Ministros da Fazenda, do Planejamento e o Presidente do Banco Central no Congresso
Nacional. Sobre o tema, publicou o livro “Investigando o Caso Coroa-Brastel”, pela
Câmara dos Deputados, em 1985.

Em 1985 e em 1986, foi escolhido como candidato
a Prefeito de São Paulo e a Governador de São Paulo, pelo PT, quando foram eleitos,
respectivamente, Jânio Quadros e Orestes Quércia.

Em 1987 voltou a lecionar em tempo integral na
EAESP-FGV, período durante o qual realizou uma pesquisa sobre como é que os
diversos segmentos da sociedade brasileira, desde os maiores empresários, os
dirigentes das centrais sindicais, até os moradores de favelas, influenciavam as decisões
de política econômica junto aos ministros do Governo. O trabalho foi publicado no livro
“Da Distribuição da Renda e dos Direitos à Cidadania”, pela Editora Brasiliense, em 1988.
Em 1988, o PT convidou Eduardo Suplicy para ser
candidato a vereador em São Paulo, de forma a colaborar para a eleição de Luiza
Erundina de Sousa – que havia sido candidata a vice em 1985 – a prefeita e da bancada
de vereadores. Teve 201 mil votos, quase cinco vezes o obtido pelo segundo mais
votado. Por isso, foi eleito Presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Ali colocou em prática a norma: “A transparência
em tempo real é a melhor maneira de prevenir irregularidades”. Detectou inúmeros
problemas. Tomou iniciativas tais como a de publicar no Diário Oficial a remuneração e
função de todos servidores da Câmara Municipal de São Paulo.

Ao final de 1990, membros do PT lhe disseram:
“você está muito bem na opinião pública. Seja nosso candidato a Senador”. Seu amigo
querido e irmão Carlito Maia criou o slogan: “É do ar do Suplicy que o Senado precisa”.
Eduardo Suplicy foi eleito com 4,2 milhões de votos, 30% do eleitorado.

Por quatro anos, foi o primeiro e único Senador
eleito pelo PT. Dentre outros, em abril de 1991 apresentou o Projeto de Lei para instituir
um Programa de Garantia de Renda Mínima, através de um Imposto de Renda Negativo,
de cujo debate surgiram as proposições do Programa de Garantia de Renda Mínima,
relacionado à Educação, ou Bolsa Escola, depois o Bolsa Alimentação, o Auxílio Gás, o
Cartão Alimentação, os quais, em 2003, foram unificados e racionalizados no que se
tornou o Programa Bolsa Família, que chegou a atender 16 milhões de famílias em
dezembro de 2016.

Quando Pedro Collor de Mello deu sua entrevista
sobre os atos de Paulo César Farias, Eduardo Suplicy teve uma conversa de cinco horas
com ele no Hotel Maksoud Plaza, junto com o deputado José Dirceu. Em seguida, ambos
escreveram o requerimento de CPI no Congresso que resultou na Campanha por Ética
na Política, culminando com o afastamento do Presidente Fernando Collor de Mello, em
dezembro de 1992.

No início de 1993, Eduardo Suplicy e o Senador
Pedro Simon apresentaram o requerimento que deu origem à CPI do Orçamento,
resultando no afastamento de seis Deputados Federais.

Eduardo Suplicy também apresentou Projeto de Lei
para que fossem tornados públicos os termos de todos empréstimos subsidiados
oferecidos pelos bancos oficiais, todavia esse projeto não foi aprovado tendo em vista um
fortíssimo lobby.

Em 1998, com 6,7 milhões de votos, 43% dos
eleitores, Eduardo Suplicy foi novamente eleito Senador. Ao interagir cada vez mais com
economistas, filósofos e cientistas sociais no mundo, que estudavam a garantia de renda,
especialmente com os membros da Basic Income Earth Network, BIEN, ficou persuadido
de que, melhor que um imposto de renda negativo, com condicionalidades, como
acontece com o Programa Bolsa Família, será a implantação de uma Renda Básica de
Cidadania Incondicional (RBC), para toda e qualquer pessoa, não importando sua origem
raça, sexo, condição civil ou socioeconômica, como a melhor maneira de prover
dignidade e liberdade real a todas as pessoas.

Eis porque, em dezembro de 2001, apresentou
novo Projeto de Lei para instituir a RBC, o qual foi aprovado por todos os partidos no
Senado Federal em dezembro de 2002, na Câmara dos Deputados, em dezembro de
2003, e sancionado pelo Presidente Lula em 08 de janeiro de 2004. Diz a Lei
10.835/2004 que a RBC será instituída por etapas, a critério do Poder Executivo,
começando pelos mais necessitados, como faz o Programa Bolsa Família.

Sobre esse assunto escreveu o livro “Renda de
Cidadania. A Saída é pela Porta”, publicado pela Editora Fundação Perseu Abramo e
Cortez Editora, em 2002, que está na sétima edição.

Eduardo Suplicy passou por momento difícil perante
o seu partido, em 2005, cujo Diretório Nacional havia recomendado que os senadores
não assinassem o requerimento de CPI sobre os Correios. Avaliou que deveria agir de
acordo com o seu procedimento usual desde o início de sua vida parlamentar, de
averiguar quaisquer irregularidades. Por isso, resolveu assinar.Pouco depois, quando
surgiu o episódio do Mensalão, o PT decidiu que os parlamentares deveriam assinar o
requerimento de CPI e não houve qualquer sanção para o Senador.

Em 2006, foi novamente eleito para o Senado, com
8,8 milhões de votos, 48% dos eleitores. Pela primeira vez na história um candidato
publicou no site da campanha uma prestação de contas atualizada semanalmente com

todas as receitas e despesas, de tal modo que os eleitores puderam acompanhar os
gastos e a origem dos recursos durante o processo eleitoral. O mesmo aconteceu na
campanha de 2014, com a publicação semanal, sempre atualizada, da entrada de novas
doações com o nome dos respectivos doadores ainda durante a campanha.

Desde então apresentou Projeto de Lei e vem
batalhando no sentido de que, nas campanhas eleitorais, cada partido e candidato devam
apresentar, em tempo real, na sua página eletrônica, toda contribuição feita por pessoa
jurídica e física.

De maneira coerente, nas campanhas de que
participou em 2006, 2014 e 2016 assim agiu, para que qualquer eleitor pudesse conhecer
a natureza do financiamento do candidato.

Em 2014, como relator do Projeto de Lei do
Senador Jorge Viana para proibir doações de pessoas jurídicas, deu seu parecer
favorável e acrescentou emenda para que, levando em conta a sugestão da Campanha
por Eleições Limpas, fosse criado um limite de contribuição para cada pessoa física.
Na sua última legislatura no Senado, empenhou-se
para que o Executivo criasse um Grupo de Trabalho, com objetivo de estudar as etapas
previstas na Lei para instituir a Renda Básica de Cidadania. A Fundação Perseu Abramo
resolveu formar este grupo de trabalho que teve a sua primeira reunião em 25 de julho de
2017, em auditório da Câmara Municipal de São Paulo.

Tal tem sido seu empenho para atingir este objetivo
que, em 2 de fevereiro de 2016, por ocasião de belíssima comemoração dos 500 anos da
publicação de “Utopia”, de Thomas More, aquele que foi canonizado Santo pela Igreja
Católica, em 1935, e em 2000, foi proclamado pelo Papa João Paulo II, patrono dos
políticos e dos governantes, por sua alta estatura moral e ética, a Universidade Católica
de Louvain, na Bélgica, outorgou o título de Doutor Honoris Causa: a Jimmy Wales,
criador da Wikipedia, por sua contribuição à democratização da informação para toda a
humanidade; a Paola Viganó, arquiteta italiana, por suas obras urbanísticas que tanto
contribuíram para a democratização do direito à cidade; e a Eduardo Matarazzo Suplicy,
por sua persistente dedicação à implantação da Renda Básica Incondicional de
Cidadania no Brasil e na Terra.
Thomas More foi um dos primeiros autores que fundamentou a garantia de uma renda
para as pessoas. No Livro I de Utopia há um diálogo entre o Cardeal Morton, outro
personagem e o viajante português Rafael Hitlodeu sobre a pena de morte que, instituída
na Inglaterra no início do Século XVI, não havia contribuído para diminuir a criminalidade
violenta, os assaltos, os roubos e os assassinatos. Eis que então Rafael Hitlodeu
pondera:
“Ao invés de infligir estes castigos horríveis, seria muito melhor prover a todos
algum meio de sobrevivência, de tal maneira que ninguém estaria se submetendo
à terrível necessidade de se tornar primeiro um ladrão e depois um cadáver”.

Conforme Eduardo Suplicy ressalta em seu livro “Renda de Cidadania. A Saída é pela
Porta”, com base nesta reflexão, um amigo de Thomas More, o espanhol Juan Luis
Vivès, em 1526, fez a primeira proposta de renda mínima para o prefeito da cidade
flamenga de Bruges, em “De Suventione Pauperum Sive de Humanis Necessitabus”, um
tratado de subvenção aos pobres, então implementada.

Em seus 24 anos no Senado, Eduardo Suplicy
sempre propugnou para que houvesse melhor entendimento entre o Governo, os
proprietários rurais e os trabalhadores rurais e para que se realizasse mais rapidamente
a Reforma Agrária.

Em ocasiões de iminentes conflitos entre
proprietários rurais e trabalhadores rurais, foi chamado a colaborar para que houvesse
um caminho de entendimento. Assim, certa ocasião em que trabalhadores rurais
acamparam junto a uma fazenda que havia sido considerada improdutiva ainda durante o
Governo Fernando Henrique Cardoso, mas já no Governo Lula, tanto os fazendeiros
quanto o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Castilho/SP, assim como a direção do
INCRA, compareceram ao gabinete do Ministro Luiz Fux, do Superior Tribunal de Justiça,
chegando a um acordo pelo qual a União desapropriaria aquela área por um preço justo
e seria feito o assentamento proposto pelos trabalhadores.

Quando inaugurado o assentamento, os
trabalhadores perguntaram a Eduardo Matarazzo Suplicy se poderiam dar o seu nome ao
assentamento. Eduardo Suplicy ponderou que não deveria ser dado o nome de uma
pessoa viva, mas que poderiam dar o nome do Professor Celso Furtado, um dos maiores
economistas brasileiros, defensor da Reforma Agrária. Assim aconteceu.

Esse episódio foi lembrado por ambos, Eduardo
Matarazzo Suplicy e o Ministro Luiz Fux, quando de sua arguição e aprovação pelo
Senado, por ocasião de sua indicação pela Presidenta da República Dilma Rousseff para
se tornar Ministro do Supremo Tribunal Federal.

Em 2014 houve um verdadeiro tsunami sobre o PT
no Estado de São Paulo. Enquanto a Presidenta Dilma Rousseff teve mais de 70% dos
votos nos Estado do Nordeste e do Norte, no Estado de São Paulo alcançou apenas 25%
dos votos no primeiro turno.

Eduardo Suplicy obteve 32,5%, 6,6 milhões de
votos, não suficientes para que fosse eleito. Concluído seu terceiro mandato em 31 de
janeiro de 2015, em 02 de fevereiro foi honrado pelo então Prefeito Fernando Haddad,
tornando-se Secretário de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo.
Em março de 2016, o Prefeito e o PT avaliaram que
seria bom que fosse candidato a vereador. No dia em que Eduardo Suplicy passou o
cargo para o novo Secretário Felipe de Paula, ele doou um cheque de R$ 176.200,00 ao
Prefeito Fernando Haddad, destinado ao Fundo Brasil de Cidadania da PMSP para
financiar a RBC quando for criada (fruto de quase toda sua remuneração como
Secretário durante 13 meses).

A população de São Paulo, em 02 de outubro de
2016, lhe premiou com 301.446 votos, a maior votação havida para um vereador na
história de São Paulo e do Brasil, em campanha sem contribuições de pessoas jurídicas
e com financiamento relativamente modesto, da ordem de R$ 250 mil. Isso correspondeu
a 0,86 centavos por voto. O segundo vereador mais votado gastou cerca de R$ 22,00 por
voto.